Um jovem do seu tempo! Cayo Carignani nos apresenta o EXPLT e outros projetos que foram concebidos a partir de suas produções musicais caseiras.

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Zamus – Consegue explicar um pouco sobre o conceito EXPLT? Ele tem algum sentido ou é só um erro PostScript?

Cayo – O EXPLT foi um acidente. Em 2011 eu consegui montar meu Home Studio e comecei a cair dentro dos programas de produção musical, inicialmente com o FL Studio e Soundforge. O motivo sempre foi fazer beats pras minhas rimas que eu escrevo desde 2006, acabava não usando tudo que eu produzo e alguns beats desses simplesmente nasceram pra ser instrumentais. Então achei válido montar esses discos depois de conseguir elaborar uma forma maneira das musicas se conectarem entre si, formando uma beat tape.

Zamus – Então EXPLT é o nome de um projeto?

Cayo – Sim, tinha que ter um nome pra lançar os beats, e eu nem queria botar meu próprio nome, então tirei a ideia de quando tava esperando hackearem uma versão do PSP e tinham que achar o Exploit pra isso, aí removi algumas vogais por nenhum motivo e ficou assim. (Risos).

Zamus – O seu outro trabalho é um trabalho de rap, né?

Cayo – Pode se dizer que sim, porque eu amo fazer rap! Mas a Kiwi Qualquer (o meu outro projeto) não é necessariamente um projeto de rap, tem muita coisa que compus que vai além do rap e nunca me preocupei em me limitar a estilos e rótulos musicais ou a fazer tal estilo pra pertencer a um grupo, esse projeto existe desde 2011 (antes mesmo do EXPLT e do Alimentar) e a primeira música desse projeto foi publicada em Agosto desse ano, Panda (ainda não finalizada em questões de mixagem). To doido pra lançar mais coisas porque tem muito material pra botar pra jogo (estou terminando de compor um disco).

Zamus – Os universos do rap e do reggae também estão intimamente ligados a produção de samplers e beats. Música eletrônica, em geral! De todo modo tu concorda com isso – consegue distinguir, nesse bolo todo, suas bases artísticas e formadoras?

Cayo – Acho foda! O importante pra mim é criar um som maneiro e é isso. Eu produzo beats, mas gosto muito de fazer jam com os amigos também, curto experimentar e ver qual é. Gosto de ouvir todo tipo de música, então as influências ocorrem de forma bem natural.

Zamus – E as influências, quais são?

Cayo – Cara, foda essa pergunta. Muita coisa, até mesmo além de música me influenciam mas citando uns nomes: Gorillaz, Fela Kuti, J Dilla, Flying Lotus, Radiohead, Sonic Youth, Miles Davis, Funkadelic e Parliament, Foge Foge Bandido, Elis Regina, Black Alien, Herbie Hancock, Nina Simone, Ray Charles, Radiohead, Mos Def, The Mars Volta, Eminem, Omar Rodriguez, Curtis Mayfield, Thundercat, The Roots, Kanye West, Beatles, Tyler The Creator, Earl Sweatshirt, Pink Floyd, Deftones, Parteum, Mount Kimbie, Quinto Andar, Medulla e mais várias outras coisas.

Zamus – E você tem projeto com banda ou algo assim? Como funciona isso? Pelo o que tô ouvindo aqui, parece ser totalmente eletrônico!

Cayo – A Kiwi Qualquer é meio que um projeto aberto aonde eu chamo amigos pra gravar instrumentos também, mas se você for ouvir todos os discos do EXPLT da pra perceber que além dos sons eletrônicos a fusão com o orgânico sempre foi inevitável. Do que eu me lembro aqui, no EXPLT, já rolou objetos diversos que eu gravei aqui em casa no microfone, guitarra, piano, baixo, meu cachorro latindo, um áudio de uma festa aqui em casa, fitas VHS, vídeos do youtube, as minhas chaves e em algumas musicas já até cantei/falei algumas coisas e botei meio que imperceptível.

Zamus – Uma vez perguntaram ao Thom York do Radiohed [Falando neles] se ele não se sentia uma criança brincando com computadores e afins, sozinho. E se isso não deixava as coisas um pouco mais “frias” (Digamos assim).
Acha que consegue responder a essa pergunta?!

Cayo – Acho que nem deixa mais frio. Estamos o tempo todo muito ligados a nossa infância e ela é uma parte importantíssima da nossa vida, basicamente determinou o que você é hoje em dia. Meu sonho de infância era ser desenhista e a música entrou na minha vida pra deixar esse sonho mais completo.

Zamus – E sobre shows – pretende levar o EXPLT pra tocar por aí, né? Consegue imaginar como será? Já teve alguma experiência?

Cayo – Pretendo sim. Quero comprar os equipamentos necessários (atualmente apenas uma placa de som) e pretendo fazer lives com o EXPLT, além de DJ Sets – Ando praticando ambos há um tempo. Sempre gostei muito de tocar ao vivo, comecei a fazer batalhas de rap e fazer rap em 2006 e isso me ensinou bastante coisa. Cheguei a freqüentar o CIC, lugar foda que rolava na fundição progresso, Lapa, aonde qualquer um podia chegar e mandar seu som em cima de um beat, batalhar, assistir palestras culturais ou só mandar um improviso no microfone aberto. Também tive um grupo de rap com várias doideras chamado 7F, o qual chegamos a fazer alguns shows. Tive uma banda com uns amigos meus chamada Marsupiais, nós tocávamos músicas nossas e alguns covers de Gorillaz, Blur, Arctic Monkeys, Green Day, Offspring, uns Raps de improviso e alguns projetos culturais maneiros tipo um show em baixo do viaduto da penha e o canal de televisão da favela da rocinha. Além do EXPLT também estou querendo MUITO tocar com a Kiwi Qualquer, tenho ensaiado.

Cayo – Queria fechar aqui citando penas uma palavra: Charles

Zamus – O que isso quer dizer?! (Risos)

Cayo – O sentido da vida!

Por Márcio Maurício

Tags:

Zamus, Educação e Tecnologia para o Novo Mercado da Música.

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