Latexxx é um repertório que começou a ser produzido num quarto na Lagoa sem a menor infra-estrutura que uma gravação mediana pede.

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Já um pouco antes da minha banda anterior (Os Imperfeitos) parar, fui apresentado a programas como o Reason pelo meu amigo e baixista Cesar Lago e comecei a mexer com programações eletrônicas e sintetizadores digitais – mais por curiosidade do que pensando em lançar algum trabalho nesse sentido – e, aos poucos, fui produzindo sem me dar conta o que quase quatro anos depois se tornaria o Latexxx.

No princípio, cheguei a gravar guitarras utilizando como mic uma câmera fotográfica (!) (numa das músicas que estou lançando, “Factory Girl”, essa precariedade de captação foi mantida em prol de uma sonoridade suja, embaçada, que só consegui reproduzir com essa ‘técnica’). Mas vamos contar essa história do começo:

Depois que Os Imperfeitos pararam, após um show e uma apresentação no extinto programa de rádio e web “Oi Novo Som”, bem no início de 2010, me refiz do baque (nós havíamos lançado nosso CD oficial apenas seis meses antes, depois de 5 anos atuantes no que se pode chamar de pequena cena local, e me lembro bem que uma semana depois fui comprar o DVD ‘No Distance Left To Home’, do Blur, e fui reconhecido pelo vendedor da loja que me disse: “Cara, me amarro na sua banda” – mal sabia ele que eu não tinha mais essa banda…) mergulhando mais e mais nas produções eletrônicas misturadas com guitarras rock, samples, processamento de vozes e tudo mais que uma mente saudavelmente entorpecida e musical pode produzir.

Ao longo de dois anos fui me equipando e produzindo, produzindo e me equipando, me mudando (de Ipanema pro Recreio, do Recreio pra Lapa, da Lapa para uma ilha no comecinho da Barra – onde fixei residência há dois anos), até que em 2012 consegui todo o equipamento mínimo para produção caseira de qualidade e me dei conta de que eu tinha, sim, um repertório homogêneo numa mix de tracks (não necessariamente canções, ainda que elas estejam lá agora que o repertório está completo) que passeavam pelo trip-hop, música ambiente, temas instrumentais com orientação cinematográfica, post-punk e afins – gêneros que na banda anterior eu não tinha tanto espaço para explorar, por mais que conhecesse e admirasse o trabalho de bandas como Portishead, AIR, Kraftwerk, Beck, Depeche Mode, New Order, Cure, etc., há décadas. E fui lapidando essas minhas produções ao longo dos anos simultaneamente a trabalhos que pagam minhas contas: produções musicais e executivas de CD e LP, captação de áudio e mixagem de áudio-direto para produtos audiovisuais, trilhas sonoras, produção de shows, etc. Cheguei a 12 canções em janeiro de 2013. Depois, por motivos de liberação e de direitos autorais – já que gravei versões para músicas de outros autores -, acabei fechando o repertório do Latexxx com oito músicas. Pronto. Eu tinha um álbum!

Um aspecto que considero interessante é que, apesar de achar que canto o suficiente para quebrar um galho nas minhas canções, convidei algumas pessoas que foram surgindo na minha vida ao longo dos últimos quase dez anos pra cá e que me incentivaram bastante a ir adiante com esse meu projeto.

Desde o começo, quando tudo ainda era bem despretensioso (se é que dá pra dizer que esse projeto já foi despretensioso em algum momento…), contei com a voz e parceria de gente como a escritora, estudante de cinema e cantora Marcela Sperandio Rosa (que gravou comigo vozes para duas músicas – uma delas incluída nesse lançamento, a já citada “Factory Girl”). Pra quem não a conhece, a Marcela foi a primeira vocalista e grande front-woman do Spllash! Banda que no começo me instigou muito. Também contei com a participação do Greco (Greco Blue, vocalista da banda Os Azuis) com quem estreitei laços de amizade quando fiz a produção executiva do disco da sua banda. O Greco, por sua vez, me trouxe a sua namorada, Luiza Machado, editora da revista online super cool “The Mark Magazine”, com quem tenho grandes afinidades estéticas e musicais, e ela acabou gravando vozes em três músicas do Latexxx. Também contei com a participação mais do que especial (na verdade, afetiva e amorosa) da minha namorada, Jeana Kamil, que é atriz e professora de dança do ventre e fez uma espécie de dueto comigo na música que encerra o álbum. Essa canção tem uma orientação árabe na letra e faz uma leve referência à cultura cigana no seu desfecho instrumental. E, finalmente, contei também com o incrível Larry Antha, meu vizinho de ilha da Gigóia e front-man do lendário Sex Noise, que gravou comigo duas músicas (uma delas acabou ficando de fora da seleção final e a música que entrou “Latexxxópolis/Mondo Cane”, é uma composição em parceria com o ex-batera dos Imperfeitos, meu grande amigo Paulo Witte, que fazia parte dos shows da nossa banda, mas que acabamos não gravando no nosso único disco). E, além destas participações, tive o ator francês que reside no Rio Emmanuel Pasqualine que cantou em duas músicas, mas ambas ficaram de fora pelas tais questões de direitos autorais de terceiros que comentei há pouco.

Sobre a origem do título Latexxx: deve-se à intenção (ainda que no princípio inconsciente) de trabalhar com andamentos mais arrastados, vozes femininas e certa sensualidade decadente que me remetia a um ambiente underground de cabaré germânico pré-nazi. Daí os três X’s do nome, que por si só já sugere perversões sexuais. Mas, em paralelo a esse apelo sensual-decadente, percebi que muitas músicas que gravei falam sobre amor. Mas não o amor pueril dos Imperfeitos e, sim, um amor mais maduro (hoje sou um cara com 34 anos e apaixonado), enfim.

Agora, o Latexxx está em vias de ser distribuído digitalmente pela Tratore. Estou finalizando a construção do site oficial deste trabalho e já tenho um clipe bem lo-fi – como a estética do Latexxx sugere – também pronto. No mais, quem sabe num futuro próximo eu o lance em outro formato (um vinil de dez polegadas e cento e oitenta gramas cairia super bem) e espero que mais e mais pessoas se interessem em conhecer o meu som e o divulguem, compartilhem que é o objetivo desta gravação e seu lançamento. Afinal, ainda que este álbum tenha sido todo feito num esquema caseiro, não quero que ele toque apenas no meu quarto, pois o Latexxx é música de amor e universal para as massas cinzentas – com trocadilho, por favor.

 

Fabio L. Caldeira

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Zamus, Educação e Tecnologia para o Novo Mercado da Música.

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