Nos dias 18 a 20 de Abril aconteceu o Seminário ABMI Digital & Sync aqui no Rio de Janeiro e fomos lá conferir. A ideia do seminário era de apresentar diversas formas nas quais um artista pode monetizar seu acervo com todas as oportunidades que o mundo digital têm oferecido. Um dos pontos altos foi a apresentação dos serviços de diversos agregadores musicais de diversos países.

Eu já conhecia diversos deles, mas não sabia que os chamavam assim. Mas então, o que são agregadores musicais (AM)? São serviços onde você faz upload das suas músicas, escolhe em que lojas virtuais vocês quer distribuí-las (iTunes, Rdio, Spotify, AmazonMP3 e etc) e ele as coloca lá para você organizando suas vendas em relatórios e pagamentos. Geralmente é cobrada uma taxa para inclusão nestas lojas e o agregador ainda fica com uma porcentagem de suas vendas. Ah, a loja também fica com uma porcentagem, não os serviços de streaming.

A Abmi trouxe a OneRPM, The Orchard, Consolidated Independent, Tratore, MusicPost, iMusicaCD Baby e a Believe Digital para apresentarem suas propostas e depois uma mesa redonda mediada pelo Fábio Silveira da Deckdisk. Vou apresentar um pouco sobre o que cada AM apresentou e depois minha conclusão sobre o assunto.

 

OneRPM

A OneRPM ou One Revolution People Music é uma empresa gringa criada por Emmanuel Zuns que além de levar sua música para as lojas e serviços de streaming, ela mesma as distribui e ainda fornece um aplicativo para você colocar na página do seu artista ou selo. Forte no Rio de Janeiro, a OneRPM está começando uma expansão para mais quatro estados: Belém, Recife, Belo Horizonte e Salvador.

The Orchard

Começou  em 1995 como um selo que catava pessoas falando sobre uma determinada banda famosa que parecia com alguma representada por ela e contactava pessoa por pessoa falando: “olha, se você gosta disso, vai gostar disso!”. Dessa forma, conseguiram quase 100% de retorno. Eles dizem não ser um agregador, mas um distribuidor digital, que hoje é o nº 9 no top 10 em parceria com o YouTube. Como estão no mercado a muito tempo, disseram que sabem o que vai ocorrer aqui no Brasil.

Consolidated Independent

A CI se posiciona como um arquivo de acervos. Como explicaram, aconteceu uma vez de um selo ter perdido todo o seu acervo, e a CI pôde restaurá-lo, já que era o provedor de backup deles. Distribuem para diversas lojas e possui uma ferramenta de exportação dos seus dados para quando você quiser sair do serviço deles. De diferencial, eles cobram pela armazenagem e não ganham pelas suas vendas. Por conta disso, eles não possuem nenhum direito sobre suas músicas. Outra vantagem é que eles possuem uma API para desenvolvedores, o que nenhum outro AM têm.

Tratore

A Tratore é uma empresa brasileira, comandada pelo Mauricio Bussab, que têm mais de 10 anos de existência. Seu foco maior é a distribuição física, sendo 80% do seu faturamento. Possuem uma rede de mais de 500 lojas físicas no Brasil e são especializados em música independente brasileira. Fazem a terceirização completa da parte comercial para artistas diretamente ou selos pequenos, possuindo maior interação no Sudeste do país.

MusicPost

A MusicPost é uma empresa nascente que tem como sócios o Fred Valente, que é muito forte no mercado gospel e pelo Felippe Llerena, ex-diretor da iMúsica. Sua sede é em Belo Horizonte mas possui uma filial no Rio de Janeiro. A MusicPost possui contrato de terceirização do serviço de distribuição da Fuga, empresa holandesa do mesmo setor, para distribuição internacional. Felippe aproveitou para falar sobre um serviço de agregação de relatórios chamado MusicPay.Us que também está lançando. O objetivo deste serviço é pegar os relatórios de diversas plataformas e juntar em um só, facilitando a vida de selos e gravadoras, mas até o presente momento não há nada na url mencionada. Empresas grandes podem contratar o serviço de white label, ou seja, podem colocar sua própria marca e terceirizar seus serviços se tornando também um agregador de música.

iMusica

O foco da iMusica é a distribuição para operadoras de celular. Criam soluções para marcas a partir da música, como fizeram com a Samsung e a Tim a pouco tempo. Como estão no mercado a uns 13 anos, se colocam como especialistas no mercado brasileiro e isso como vantagem, pois precisam conhecer exatamente suas músicas e o mercado para poder posicionar seu acervo da melhor forma possível para que você realmente venda. Como vantagem dizem possuir um grande expertise de distribuição e de business inteligence de consumo de música no Brasil.

CD Baby

A CD Baby disse que pode distribuir, promover, sincronizar e analisar seu acervo. Também fazem vendas físicas e as distribui para você. Possui integração com o Shazam, que é um serviço de descoberta musical onde você canta um pedaço de uma música e ele descobre e exibe link de compra para você. Possui um blog de Do It Yourself para artistas independentes que está sendo traduzido para o português. Paga semanalmente seus artistas, ficando com 9% do valor entregue pela loja, que geralmente já recebe uma mordida de 30%.

Believe Digital

É uma empresa francesa que se diz líder neste mercado na Europa. Estão abrindo um escritório no Brasil, mas já possui alguns clientes aqui, como a própria Deckdisk. Disseram que terceirizam seu departamento de marketing digital se você quiser.

 

Conclusão

Eu utilizei os serviços da TuneCore, umas das pioneiras nesse mercado para distribuir as músicas da minha banda, a AUMUMANA. Eles também cobram taxa de inclusão em lojas, que no meu caso chegou a uns $ 48 por ano, mas não ficam com porcentagem alguma das minhas vendas, assim com a CI. Todas as outras que se apresentaram dão uma pequena mordida no seu dinheiro e algumas, ainda cobram para colocar suas músicas em cada loja.

Um ponto importante colocado pelo Eric Namour, representante da CI e que tive o prazer de bater um papo em off, é que nenhum dos agregadores falou, mas quando você assina um contrato com qualquer um destes, eles passam a possuir direitos sobre suas músicas.

Outra questão que é importante para mim, como programador, é a questão de nenhuma delas, tirando a CI, possuir API para desenvolvedores criarem aplicativos em cima das plataformas. Mesmo a da CI possui pouco acesso aos  dados.

No final das contas todos estes AMs possuem serviços bem parecidos ou quase idênticos, o que faz a briga entre eles cair para as questões de preço. Neste caso, existe um outro agregador que acabei de encontrar, chamado RouteNote, que não cobra nada para colocar nas lojas, mas morde 15% de suas vendas ou, cobra uma taxa por cada álbum e single mas te repassa 100% da vendas. Como a maioria dos AMs não foi claro com a sua ‘distribuição de renda’ no seminário e nem em seus sites, não pude fazer uma comparação mais a fundo aqui. Vale uma pesquisa mais elaborada se a intenção é colocar suas músicas por ai.

Vale notar que, em alguns casos, como no Spotify e outros, não há como você colocar sua música falando com eles diretamente. Por isso os AMs são muito importantes.

Para completar, gostaria de saber sua opinião sobre estes e outros AMs, você utiliza ou utilizou algum? Quais as vantagens e desvantagens que você percebeu? Qual você indica?

 

7 Comentários
  1. Rodrigo Dantonio 7 anos atrás

    “mas quando você assina um contrato com qualquer um destes, eles passam a possuir direitos sobre suas músicas”. Que direitos extamente? Ou eles passam a ter “os direitos” (autorais), sobre suas músicas??

  2. Guilherme Sampaio 7 anos atrás

    Fala Rodrigo,

    Na verdade, alguns agregadores têm a possibilidade de gerar o código ISRC para a sua música se você não tiver feito, e isso os coloca como produtor musical do fonograma.

    Isso quer dizer que ele passa a ter direitos conexos como produtor, não autorais, que se referem a obra, tendo direito a mais ou menos 41%, dependendo de quantos titulares conexos o fonograma tiver.

    Não encontrei um link agora para lhe mostrar, mas estamos preparando um material para explicar como funciona a coisa toda.

    Você está em algum desses agregadores?
    Você é o produtor fonográfico das suas músicas?

    Abraços!

  3. Leonardo Brasilino 6 anos atrás

    Bom dia, estou lendo este artigo e o último comentário foi a um ano. Alguma coisa mudou sobre os agregadores ?
    Tenho um disco lançado já com o isrc, assinando com um desses agregadores eles ainda podem mexer no isrc ?
    Obrigado.

    • Guilherme Sampaio 6 anos atrás

      Olá @leonardo-brasilino , muita coisa aconteceu nesse universo, sim!

      Você gerou o ISRC e cadastrou lá ou eles geraram?

      Se eles geraram, você pode e deve entrar em contato para rever isso. Pegue o ISRC e faça uma consulta no Ecadnet para ver se tem direitos para esse agregador.

      Se precisar de ajuda, entre em contato conosco da Zamus por email, ok?

      Abraços!

  4. Leonardo Brasilino 6 anos atrás

    Eu gerei e quero somente que os agregadores publique o meu disco nas plataformas como Spotify. Sem transferir parte dos direitos para ele.

  5. Hermano José Brandão Rocha Filho 6 anos atrás

    Saudações. Fiz upload de uma música de minha banda para o agregador ROTENOTE, ainda está em avaliação, já gerou o código ISRC, mas está pendente de avaliação e ainda cabe cancelamento por minha parte.

    Fiquei muito preocupado com o que li aqui ((Na verdade, alguns agregadores têm a possibilidade de gerar o código ISRC para a sua música se você não tiver feito, e isso os coloca como produtor musical do fonograma. Isso quer dizer que ele passa a ter direitos conexos como produtor, não autorais, que se referem a obra, tendo direito a mais ou menos 41%, dependendo de quantos titulares conexos o fonograma tiver.))

    Li no site da ROUTENOTE que como eu não paguei US$10,00 por loja disponibilizada, terei que disponibilizar para eles 15% de tudo que for vendido. Os direitos que você se refere é esse 15% ou eles passam a ser donos dos ditos 41% sobre a obra e assim me travando para eu fechar com uma gravadora no futuro? Aguardo uma resposta de ajuda. Obrigado.

    • Guilherme Sampaio 6 anos atrás

      Olá @hazyhamlet, tudo bem? Fui buscar o verdadeiro funcionamento disso com alguns agregadores e a questão real é a seguinte:

      – Os agregadores geram o ISRC para você para não perderem o cliente. Pois, se você tiver que ir gerar, precisa cadastrar seus fonogramas vi SISRC, enviar para a sua Associação e aguardar o cadastro no ECAD, o que pode te fazer esquecer ou ir para outro agregador.

      – Esse ISRC gerado não é cadastrado no ECAD, então, você não precisa se preocupar deles se tornarem o Produtor Fonográfico do seu fonograma, mas também não irá receber nenhum direito de Execução Pública já que seu fonograma não está cadastrado lá.

      – Inclusive, a última decisão da Justiça brasileira é que as plataformas de streaming devem pagar Direitos de Execução Pública! O que gera alguns problemas nessa situação, pois seu ISRC não estando cadastrado no ECAD, essa parte do pagamento irá para o que chamam de Retidos no Brasil e Black Box no estrangeiro.

      – O ISRC gerado serve apenas para identificar seu fonograma para as plataformas de streaming poderem lhe pagar. Mas, quando forem pagar esse Direito de Execução Pública, vão utilizar esse ISRC e aí caímos na questão anterior.

      Minha sugestão é que sempre gere seu ISRC antes de distribuir para garantir todo e qualquer direito seu.

      Se quiser, me envia uma mensagem privada e poderemos marcar um papo para te ajudar com sua distribuição através de um de nossos parceiros.

      Espero ter ajudado!

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