Alex Guterres, da banda pernambucana Hey Ho Charlotte é o nosso novo colunista. E pra começar o cara troca uma ideia com os músicos Márcio e Helder da Orchestra Binária dos Filhos de Ben, sobre as diversas faces da cena musical carioca.

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Alex – Em meados de 2012 tive a oportunidade de tocar com a minha banda no Rio. De cara notei algumas diferenças com relação ao público da minha cidade (Recife). Notei que a galera aí parece ser bem mais antenada. Tipo, se você cria um evento no Facebook, anunciando seu show e 200 pessoas confirmam de fato 200 ou mais pessoas aparecem pra sacar a banda. O público carioca realmente chega junto?

Márcio – Cara, se tu conseguiu colocar 200 ou 300 pessoas no seu evento aqui no RJ tu é um cara bem competente. Aqui no Rio rolam sim muitos eventos e a cena tem tudo pra ser bem forte. Mas existe uma a áurea que ainda ronda os status dos eventos por aqui. O que faz o público não ser único, mas bem separado, saca? São nichos que funcionam separados, apesar dos interesses serem os mesmos. Tem como exemplo disso, a galera da Zona Sul que frequenta determinados locais e tem a galera da Baixada (Transfusão Noise Records) em outro extremo que faz seus eventos – quase que não se misturam. Não sei bem se podemos reclamar de locais e eventos por aqui, mas existe o problema do público que é separado, vai saber por que…

AlexDe fato deu uma galera massa nos shows da Hey Ho Charlotte aí. Notei logo o interesse de alguns sites como o Rio Cult e a Zamus que deram um cartaz legal pra banda e fôlego na divulgação. Vocês acham que uma banda que é de fora chama mais atenção do que as bandas locais que já vem construindo público aí?

Helder – A promoção do evento faz diferença também. Se a promoção do evento leva em conta a visita de uma banda de fora, o ineditismo da apresentação fará algumas pessoas irem. Eu por exemplo iria, só pra conhecer mais sobre a cena de Recife. O que rola por aqui é que as bandas têm basicamente três possibilidades de apresentação: 1- Casas de show pequenas, naquele arcaico esquema de cobrar da banda a venda de ingressos antecipados para terem o “direito de tocar”; Dessas tem aos montes! 2- Estúdios de ensaio que abrem espaço para shows. Nesses espaços em geral os eventos são pequenos e poucas pessoas são atraídas para chegarem junto. Os shows em geral são bem bacanas, com um público bem recortado que realmente ta ali pra assistir ao artista; 3 – ou boates/inferninhos (Risos). Nesses a coisa flui mais, mas também não são tantos que funcionam por aqui. O público é grande, mas em geral 90% ta ali pra chapar a coco e acaba assistindo ao artista por acidente.

Alex- Tenho que concordar que aqui em cima também é bem semelhante. No caso da Orchestra Binária dos Filhos de Ben, qual a motivação pra continuar fazendo som?

Márcio – Nossa motivação, eu nem saberia te dizer. Mas acho que por alguns motivos nós decidimos pegar o caminho mais fácil dentro de nossas possibilidades. Nós somos só uma banda que “existe” pra por pra fora o que temos na cabeça. Não quero dizer que não exista a vontade de sair e tocar por aí, mas é que estamos muito enterrados nos nossos próprios problemas, problemas de produção, composição e gravação, por exemplo. Enquanto banda! Observamos bastante o cenário e como ele corre, por isso, talvez nos coloquemos até como alheios a ele. O pouco que fizemos de apresentações até agora, foi por meio de convites e coisas bem estabelecidas, saca? Temos uma estrutura de banda complicada. Quanto banda – Instrumentos e parafernálias. Então, meio que ficamos ressabiados com esse ponto também!

Helder – Fora isso, os caminhos que temos tomado têm satisfeito a gente, mas nos afastado do circuito. Freqüentamos mais como expectadores do que como artistas nessa cena. A motivação, por mais babaca que soe isso, é que eu não sei o que eu faria se não fizesse música. Não teria a vida que tenho, não faria os amigos que faço, não andaria nos lugares em que ando. Ao menos pra mim, fazer música com a Orchestra não é um “plano” ou um objetivo. É uma contingência da vida mesmo.

AlexQuais nomes que vocês apostam na cena carioca? Algo que tenha potencial, mas que ainda não caiu na graça do público e crítica.

Helder – Essa eu respondo de cara! Lê Almeida. A crítica vira a cara pro trabalho dele, considera esse indierock com letra morta, mas ele representaria um novo paradigma estético para a música do Rio.

Márcio – É eu concordo também. Não porque eu ache que ele faz a melhor música do mundo. Mas por achar que a proposta ta feita, agora é por pra frente (Divulgar). Existem inúmeras outras boas bandas por aqui, até melhores que as produções da Transfusão, na minha opinião – como o Dorgas e o Fábrica, por exemplo.
Mas diferente do Lê Almeida e das bandas da Transfusão, elas também estão sozinhas na busca do público perdido que tá separado e disperso por aí…

Alex- E a internet, pessoal, ajuda ou confunde esse publico??

Márcio – A internet ajuda, certamente. Mas ajuda nessa separação também, como disse antes. A liberdade de escolha pela informação é boa e ruim. Antes você corria pra qualquer evento q soubesse independente de tudo, apenas por sentir fome daquilo, hoje, você escolhe o que quer. Isso é ótimo, mas prejudica a diversidade e o artista consequentemente. Gosto de pensar que a inocência de 10 ou 15 atrás era boa por isso.

Por Alex Guterres

 

Zamus, Educação e Tecnologia para o Novo Mercado da Música.

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