Por Marcio CS, vocalista da banda Hipnoia

Tenho 37 anos, mas às vezes me sinto com uns 60. Basta comparar minhas sensações sobre descobertas musicais há uns 25 anos atrás, quando comecei a ouvir música, com as sensações que os jovens parecem ter hoje. Na realidade não me sinto velho, tenho muita saúde e energia obviamente. Não fumo, bebo pouco, faço atividade física. Mas quem é dos “anos 10” recebe e descarta as coisas de forma muito fácil – e não precisa fazer muita força para isso.

Com 12 anos ganhei meus primeiros 2 LPs, e minha missão no mundo passou a ser “descobrir música”. Então eu ouvia rádio incessamente, principalmente a saudosa Fluminense FM, 94.9 no dial (crianças, sabem o que é dial????). Eu gravava tudo em fita K7 (crianças… K7… sabem o que é?… alguém por aí ainda?) Comecei a comprar meus primeiros LPs com o dinheiro que vinha da boa vontade da minha mãe… comprava também K7s virgens para gravar o que eu ouvia de bom no rádio… com isso fui conhecendo e curtindo por exemplo bandas nacionais desconhecidas como Escola de Escândalo, Gueto, Defalla, entre outras, que eu ouvia no programa “Espaço Aberto” da Rádio Fluminense FM, de segunda a sexta às 20h. Eu carregava meu prato do jantar pro quarto, ligava meu rádio portátil e ouvia o programa. Anotava num caderno o nome de todas as bandas que tocavam, e dava nota pras músicas. No dia seguinte de manhã, quando eu voltava da escola, ouvia na mesma rádio um programa que tocava de Pixies a Suicidal Tendencies, numa mistura que era mais voltada ao público que surfava ou andava de skate. Com isso eu ia aumentando meu conhecimento musical, e consequentemente minha coleção de LPs e K7s.

Vamos só relembrar que estou falando de 1987, quando não havia nem CDs. Que dirá Internet.

Hoje é muito mais fácil ter uma banda e divulgar o material. Ficou tudo mais barato e mais prático do que antes. Por outro lado, há muito mais bandas para ouvir e conhecer. Então você conhece uma música, ouve e pronto, joga no iPod – um dia você ouve a música novamente. Por acaso olha na tela do iPod ou do seu computador e vê de quem é a música. Mas você não compra o CD; Você baixa o CD inteiro pela Internet em 2 minutos. Isso quando você gosta da música, mas não sabe nem o nome dela nem de quem é. Comparado com 1987, cadê a emoção nisso?

É claro que, para quem tinha costumes parecidos com os meus quando mais jovem, é MUITO legal poder baixar material de bandas que você gosta que, na época, você não teria a menor chance de ouvir na rádio nem de comprar. Imagina encontrar e baixar em menos de 5 minutos um show do Sisters of Mercy no Canecão em 1990 (eu fui nesse show!!). Ou baixar a discografia completa do Pink Floyd em minutos! Em 1987 eu não tinha a menor ideia de que isso poderia acontecer.

Algumas pessoas dizem que a Internet veio para ajudar, mas outros chegam a dizer que ela está aí só para atrapalhar. O ideal é encontrar um meio termo. É aí que o Zamus entra na história. As bandas de hoje precisam aprender que não basta só gravar uma música e colocar na Internet para se ter sucesso. Quando eu digo “sucesso”, não é tocar no programa da Xuxa, no Faustão ou na sua rádio FM favorita. Sucesso é acontecer o que você planejou, da forma que você imaginava – ou o mais próximo disso – e daí você tirar bons frutos, novas parcerias, etc. Se disso tudo você ainda conseguir tirar seu sustento financeiro, melhor ainda. Mas a gente está nesse mundo para ser feliz, seja com ou sem dinheiro no bolso, não?

Mas voltando ao Zamus, posso dizer que é uma ferramenta muito, mas muito, útil para as novas bandas, e também para as já estabelecidas no mercado – por vários sentidos. Começando pela história da divulgação dos singles: uma cultura perfeita para novos artistas, que infelizmente nunca se estabeleceu no Brasil, pelo fato das grandes gravadoras nunca terem encontrado um formato ideal para a venda dessa ideia por aqui. A Internet é a mídia perfeita para se conhecer um artista novo, ou a nova música do seu artista favorito, através de um single. No caso da Zamus, não precisa nem fazer download – basta entrar na página do single e você ouve a música em alta qualidade sonora, vê a foto do artista, letras, e comentários. Por tabela você ainda conhece outros artistas. Para quem não tem condição de criar um site exclusivo, a plataforma tem ainda uma página com seus singles ou álbuns, tudo de forma gratuita. Mesmo grandes artistas internacionais estão usando uma estratégia similar na divulgação de seus novos trabalhos.

Em 1987 eu imaginaria que uma ferramenta como o Zamus poderia existir? Um lugar no mundo onde eu pudesse conhecer novos artistas, de qualidade, sem gastar uma moedinha do meu bolso? Do fundo do meu coração, eu espero ver o sucesso do Zamus no mercado musical brasileiro. Estou fazendo um pouco da minha parte divulgando não só os EPs da minha banda, Hipnoia, pela plataforma, mas também divulgando o nome do site e as ideias a todos meus amigos e conhecidos, porque eu comprei essa ideia, de verdade. Uma revolução sempre começa com um pequeno passo, com a ideia na cabeça de uma pessoa maluca o bastante para ousar e tentar uma coisa nova nesse mundo cheio de oportunidades. Agora estou dando mais uma pequena contribuição pra coluna ‘Tudo de Som’ escrevendo esta matéria, que espero ser a primeira de muitas, e pretendo continuar colaborando de todas as formas possíveis. Junto com meu sucesso pessoal, anseio pelo sucesso do mercado independente da música brasileira. E não há como isso acontecer sem ideias revolucionárias como as do pessoal do Zamus.

Por Marcio CS, vocalista da banda Hipnoia

 

Zamus, Educação e Tecnologia para o Novo Mercado da Música.

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