Flávia Muniz, vocalista do Luisa Mandou Um Beijo, fala sobre suas influências, vontades e também sobre seu trabalho solo “Descalços Sobre a Terra“. 

Fotos:  Daniel Floresta / Fabrício Menicucci Fotos: Daniel Floresta / Fabrício Menicucci

“Eu quero falar de uma coisa que serve pra todas as coisas que faço: A Carta da Terra. Em especial o item IV que fala da democracia, paz e não violência. Precisamos pintar o imaginário da paz. É São João. Leio a Carta da Terra e penso nas formas pacíficas de propagar ideais.”

Digamos que foi assim, sem me sentir pronto, que comecei um papo com Flávia Muniz, vocalista do Luisa Mandou Um Beijo, numa madrugada fria.

Zamus: ”Ta pronta prum trabalho solo”? Ou foi um de vocês dois [Você ou o trabalho] que esbarrou um no outro sem querer?

Flávia: “Tô mermo”! Sou mediadora de mundos. Venho esboçando minhas idéias, pensando exatamente sobre o quero falar. É claro que nas canções tudo aparece de forma muito espontânea, mas eu estou contando uma história. Tem uma narrativa. Sou eu falando a minha própria voz.

Zamus: Uma das coisas que diferenciam os trabalhos do Luisa pro seu disco solo é o fato de que, desta vez, as influências (exemplo: O Samba) tomaram o lugar de destaque pra compor as canções apesar de manter viva sua veia pop. Antes eles eram parte do Rock. Você concorda? Como você vê isso? Isso foi planejado ou é natural mesmo?

Flávia: A LMUB (Luisa Mandou Um Beijo) era um projeto, inicialmente, do Fernando Paiva (guitarrista e compositor). O interessante da Luisa é que a gente gravou o disco antes de formar a banda. Gravamos, colocamos na internet, o público gostou e a banda existiu. Cada um com uma referência. O rock flertava com o funk, com a bossa nova, etc. No meu trabalho eu tenho uma pesquisa: entender a formação cultural do Brasil: tem elementos da cultura indígena, africana e européia e daí pra frente, porque o Brasil é miscigenação. Tem samba, maculelê, ijexá, chamamé, carimbó. Mas soa contemporâneo.

Zamus: Você disse que colocou 3 músicas na net e daí foi “achada” pela galera da Elefant Records? Conta um pouco como foi?

Flávia: Eu produzi as músicas pra um edital da Funarte. Eles não deram bola. A Elefant ouviu. Eu mesma não acreditei. Na verdade, eu não sei como havia no meu mailing o contato da Elefant (quem fazia a assessoria da Luisa era o Fernando). Fiz um show em 2010, quando produzi as 3 faixas, e divulguei. O Olho mágico (Minha banda) ainda nem tinha bateria.  Aí aconteceu isso. Eu não entendi como um selo de música indie pop poderia se interessar por um trabalho tão rootz…

Zamus: Uma das coisas legais do disco é que desperta um pouco das lembranças, boas lembranças. Ao menos em mim. Tem muita coisa de Brasil. Você diria que está representando bem a “coisa” brasileira nos ouvidos de outros lugares? Digo exclusivamente pelo teor de conteúdo nacional misturado que as musicas carregam.

Flávia: Acho que sim. Os músicos que tocam comigo conhecem bem o universo brasileiro. Eu venho pesquisando humildemente. “Descalços sobre a Terra“, a música que dá nome ao disco, é um chamamé. Eu estava estudando o livro do Marco Pereira. Eu nunca vou tocar daquele jeito genial dele. Eu tento beber nas fontes nobres e mastigo. Minha música é chiclete. Acho que o pessoal lá fora vai gostar sim.

Zamus: Quando te falei sobre “lembranças” quis remontar imagens da infância mesmo. E você, quando criança, quais foram seus primeiros contatos com música e que você hoje consegue identificar no seu trabalho e na sua influência, no seu caráter musical?

Flávia: Quando eu era pequena meus pais ouviam Chico Buarque, Taiguara, Edu Lobo. Eu era fã de A Arca de Noé, A Casa de Brinquedos e Pirlimpimpim. Ah! E tinham as historinhas! Eu amava o LP do Pluft. Tocava numa vitrolinha. Essas são as minhas primeiras memórias.

Zamus: E na música independente Brasileira. No cenário carioca. Tem acompanhado algo? Tem algo que te toca nisso tudo?

Flávia: Discos que tenho ouvido muito: Luiza Brina e Laura Lopes. Tem os novos novíssimos Leandro Floresta, Dudu Godói. Tem as queridíssimas Beth Albano e Sueli Mesquita.  E Pedro Moraes, Tiago Amud, Renato Frazão, Dimitri BR, Gabi Buarque, Natasha Lerena, etc…

Por Marcio Mauricio

Zamus, Educação e Tecnologia para o Novo Mercado da Música.

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