Por Dom de Oliveira, músico, poeta, compositor e designer.

A inspiração ronda a vida, está ao lado, ao longe, na saudade, além mar. Ou aqui, dentre nós. Certamente a inspiração suspira esperançada em arremeter do esquecimento, dando voltas, lutando para nascer arte. Nas vias tortuosas do cotidiano a inspiração, quase sempre, é esquecida, despercebida, quando não é absorvida por aquele que a faz razão de seu viver, o artista.

O artista é ser humano que tem as percepções mais apuradas, que sente mais, que percebe mais as nuances do dia-a-dia. Traduzindo em sentimentos e arte o que para maioria é cotidiano. Ser artista é sofrer mais, pois a vida não passa despercebida, as dores, os sofreres, as tristezas são sempre maiores, pois as nuances as são. Viver é sofrer… e ser alegre, sim, também. Viver é perceber.

Sendo a vida carregada de nuances, sendo a arte porta-voz de sentires vários, o suporte pode trazer e potencializar maior carga de sentimentos. Sim. Um poema escrito na parede de uma prisão acarreta, por causa de seu suporte, maior peso dramático a um poema já triste. Uma escultura feita em gelo nos traz ainda mais a percepção da efemeridade da vida. Uma pintura feita em um prédio em demolição vem muito mais carregada de possibilidades de interpretação. A música LO-FI é o suporte clássico da dramaticidade, dos que querem o estranhamento do que é fora de estúdio ou dos que não tem dinheiro para gastar com ele. O significado do termo é baixa fidelidade (low fidelity), aqui no Brasil ganhou o status de gravação de baixíssimo orçamento. Ser LO-FI é mais que isso. O Movimento LO-FI quer mostrar que o estilo tem muito a ser explorado pelos artistas. O estranhamento às gravações rapidamente dá lugar ao entendimento do que é ainda mais importante no movimento: a relevância das composições, o atrevimento das possibilidades. São alguns dos motes que devem ser levados em conta. Não só por nós, artistas, pois o movimento artístico em si pode ser absolutamente libertário. Quem dirá de seus gostos, da qualidade da composição ouvida e consome arte é, como sempre e em todos os lugares, o respeitável público.

Por isto, grande público, esteja mais do que introduzido ao Movimento LO-FI.

A música do mato de todas as américas.

Seja bem-vindo, boas composições.

 

Por Dom de Oliveira, músico, poeta, compositor e designer.

Zamus, Educação e Tecnologia para o Novo Mercado da Música.

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