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A banda gaúcha Dois a Rodar  contou pra gente um pouco sobre a cena independente do RS e a importante conexão com outras bandas extraterritoriais.

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Zamus: Uma dupla de vozes, uma delas marcantes, alias, cantando junto a um violão. Os refrões ótimos e pegajosos. É uma boa receita pra arrecadar fãs! Contem como foi o inicio do casal, na música e as pretensões. 

Dois a Rodar: Então, inicialmente era essa a ideia. A gente começou tocando apenas versões de bandas que a gente gostava, e Ludov era uma delas, por isso o nome. Como a gente não tinha pretensão de ir muito longe, pegamos o nome porque tinha a ver com o fato de sermos só dois e tal (dã, hehehe)

Zamus: E as influências da banda, além do Ludov são? 

Dois a Rodar: Olha, tem muita coisa! Musicalmente, o próprio Ludov, Los Hermanos, Pato Fu. A Nathi tem muita influência desse monte de cantoras da “MPB alternativa” de hoje em dia, tipo Tulipa Ruiz, Tiê, Céu e tal. Do meu lado, uns caras como o Arnaldo Antunes e o Nando Reis. Boa parte do rock/MPB brasileiro a gente acha alguma coisa pra se identificar.  

Zamus: O esquema de som “violão e voz” – feminina, em especial – é meio “batido” na MPB. O que vocês diriam que diferencia o som de vocês nesse meio, além, claro, das músicas soarem meio rock? 

Dois a Rodar: Cara, apesar da voz da Nathi ser mais “protagonista” na banda, eu acho que o legal da gente é que não existe uma sobreposição de elementos, sabe? O cajón, por exemplo, que costuma ser só uma percussão complementar nas bandas, na nossa é o centro rítmico.

Eu canto tanto quanto a Nathi (em quantidade, claro) no disco, e os shows também são assim.

E todo o nosso “setup” é violão e cajón, eu acho que a gente sai desse meio justamente por assumir essa identidade acústica, minimalista e tal.

 Zamus: Falando nos shows: O pessoal tem respondido as músicas? Cês tão notando reações tipo galera cantando?

Dois a Rodar: Olha, dá pra dizer que sim! Desde o lançamento do clipe, a gente percebeu nos shows que vieram depois que “Imagina” tinha essa magia chiclete, sabe? De ficar na cabeça e tal. E depois do lançamento do disco (Sinestesia), apesar de a gente não ter feito muitos shows, dá pra perceber que o pessoal tem pegado as letras, curtido e tal

 

Zamus: O clipe de “Imagina“, alias, eu diria, que é uma mega produção. Ficou muito bem bolado pra uma banda independente. Tem a ver muito com o som de vocês. O que vocês têm a dizer sobre a simplicidade se der uma banda independente e ao mesmo tempo, tentar fazer coisas de primeira – como o clipe, exemplo – com toda a dificuldade e tal? 

Dois a Rodar: Esse clipe foi feito por estudantes de Publicidade e Propaganda do IPA, pra uma disciplina da Faculdade. A gente nunca teria verba pra fazer algo desse tipo, mas fomos convidados e saiu o que saiu. Eu acho que, independente da simplicidade da banda ou da sonoridade, a gente sempre precisa pensar grande.

A produção do disco também tem os seus defeitos, mas é um GRANDE avanço comparado com o que a gente tinha de material no início da banda. É um clichezão total, mas a gente acha que se é uma coisa que tu realmente quer fazer, tem que correr atrás como puder, sempre

Zamus: Na cena independente, falando em qualidade, o que chama a atenção de vocês? Como tão rolando as coisas aí pelo Rio Grande do Sul?

Dois a Rodar: Bueno, a grande diferença de agora com uns dez, quinze anos atrás é que a internet é sempre um grande palco aberto, né?

tem muita banda, muita coisa surgindo ao mesmo tempo, isso é bom porque todo mundo tem mais ou menos “a mesma chance”, mas a gente admite que fica mais difícil de ser notado.

A gente tem tido contato com algumas bandas de SP e do Paraná, que a gente pôde tocar junto em uns festivais.

A Nayara Konno, por exemplo, é uma menina que tá começando agora, cantora e compositora, voz e violão também, mas com muito potencial, diferenciada desse meio “batido”, como você disse

A cena daqui é muito focada no rock indie e punk, então é mais complicado pra nós achar uma vertente desse som acústico que não seja esses músicos de happy hour, sabe? A gente gosta de tocar covers e tal, mas a gente tem uma preocupação com as nossas composições próprias, e é tão difícil encontrar músicas autorais realmente diferenciadas hoje em dia

 Zamus: O reconhecimento de vocês é ajuda pra alçar vôos maiores? 

Dois a Rodar: Ah, sem dúvida. a gente já tem um “reconhecimento” bem maior do que a nossa pretensão inicial, bastante gente comentando pelo face, pelo twitter e tal.

Mas a gente quer bem mais, a gente quer levar o som pro maior número de pessoas possível.

É difícil sonhar com o mainstream, porque a gente sabe que é uma batalha que não depende mais só de talento ou de esforço, né?

Mas a ideia é continuar fazendo o nosso nome como der, divulgar bastante as canções online do jeito que a gente pode.

Por Márcio Maurício

Zamus, Educação e Tecnologia para o Novo Mercado da Música.

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