‘A minha vida muda sempre lentamente’

Dia desses o Da Ghama veio visitar a Zamus. O cara entrou como um lord inglês, e emprestou pouco mais de uma hora do seu tempo e de toda sua sensibilidade pra conversar comigo.

Para começar o moço é dono de uma gentileza que impressiona. Impressiona também e muito a consciência; Sim Da Ghama é dono de uma tranquila conciência musical e profissional, como se vê pouco por aí.

Nascido na baixada fluminense, o músico reconhece como influência musical toda sua experiência de vida, tudo que seus irmãos ouviam – e leia-se nisso reggae, samba, mpb e o original funky grooveado de James Brown –  e cita com entusiasmo e quase devoção, Djavan e Benjor como referências predominantes. Ele fala ainda com certo orgulho nostálgico dos pais operários e da amizade com o violão que fez despontar nele o músico: “Eu sou música!”.

O idealizador e fundador do ‘Cidade Negra’ é um engajado agitador cultural e dedicado as causas sociais especialmente as que envolvem a região da baixada onde nasceu, e acredita na arte como caminho para superação das dificuldades da vida. Entre os projetos encaminhados ele gesta um que, a mim soou algo muito perto do sensacional: um documentário cinematográfico sobre a colonização africana na região da baixada fluminense.

Tesouro Perdido

Por trás da pessoa encantadora, do ser humano inspirador, o profissional que há muito acalentava um desejo: Dar ênfase ao seu lado compositor. Assim nasceu ‘Violas e canções’. Assinalado como divisor de águas, o disco é um resgate da história do próprio Da Ghama, e muito por isso o reggae sempre presente, cede algum espaço ao pop e ao samba como na encantadora faixa ‘Ciranda’ em parceria com Marcos Valle. Se a regravação da icônica “No woman no cry” denuncia a vocação para eterno ministro de Jah, as parcerias com Bernardo Vilhena, George Israel, Arlindo cruz e a cantora Liah, contribuem para a riqueza do disco em suas muitas possibilidades rítmicas exploradas.

Da Ghama assumiu com muita propriedade a nova fase da vida ao se lançar em carreira solo. Ele deixa muito claro a que veio, e, se ‘Violas e canções’ é um marco, quase uma insurgência do compositor, o disco seguinte, o qual está sendo preparado “BaixafricaBrasil”, é um reforço de tudo isto, mas segundo o próprio Da Ghama, com mais ênfase à sua predileção pelo reggae.

Das modernidades e sobre o Creative Commons

A primeira pergunta que fiz ao Da Ghama foi, como era o relacionamento dele com a internet e o livre compartilhamento, já que ele, com 20 anos de carreira, vivenciou a era do cd, onde artistas ainda podiam contar com dinheiro da venda de cds para sobreviver. A resposta muito lúcida foi certeira: ‘Eu sou meio preguiçoso com tecnologia…rs… mas esta coisa do creative commons, de saber que a minha música vai circular livremente, e chegar a lugares que antes nunca chegaria… isto é muito bom! Quero mais é que minha música circule, por isto liberei o material na Zamus.”

Permita que o amor invada sua casa, coração!

De tantas coisas que o Da Ghama me falou, me encantou em especial, talvez porque descreva o tamanho de sua sensibilidade, quando perguntei qual a música de sua autoria que ele mais gostava:
‘A sombra da maldade, em parceria com o Tony. Foi uma homenagem a minha filha quando ainda estava sendo gerada na barriga da mãe…como a lua que dá voltas pelo céu que mexe tanto com o presente quanto o ausente…’

Disse assim, com um sorriso generoso e quase encabulado como quem mostra uma pontinha de uma grande e importante verdade…

 

Paty Musásci
Música, contadora de histórias e  pesquisadora musical 

 

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